terça-feira, 15 de julho de 2014

Controle do peso, angústia e a pergunta: ser magro é ser saudável?

Olá pessoal

A nutricionista já foi sinônimo de "profissional que vai fazer você emagrecer". Imagina a cara de algumas pessoas quando digo que acompanho bebês. Alguns comentam: mas novinho assim, precisa?

Precisa! Ensinando a criança a comer bem, com prazer, uma alimentação rica em cores, sabores, menos esse bebê vai precisar fazer controle de peso na vida adulta. Isso é prevenção, é investimento em qualidade de vida.

Mas quando a criança já está acima do peso, orientar uma reeducação alimentar e uma vida ativa passa a ser muito importante. Mas essa simples (ou não tão simples) atitude é difícil, carregada de culpa, de angústias, de mudanças, de culpa.

Uma psicóloga amiga minha um dia leu um texto meu, um texto com o título "Dieta" para criança Gordinha. O foco do texto, como vocês podem ver, é tentar remodelar a ideia de dieta, e contribuir para uma mudança mais assertiva, mais duradoura. Afinal, criança não faz dieta. Esqueçam as dietas! Faz reeducação alimentar, deve ser orientada quanto aos horários, limites, etc, sem restrições excessivas. Ou modismos.

O que chocou minha querida colega não foi o texto. Logo abaixo do texto, você consegue ler comentários. Alguns, de crianças. Dizendo: quero emagrecer, me ajude. Qual meu peso ideal? Quero uma dieta, não muito longa. Estou progredindo bem na minha dieta (menina de 11 anos) Outra garota de 11 anos: tenho uma barriguinha, quero eliminá-la. Relatos de bulling. E mais algumas coisas. E essa minha amiga nem sabe que parei de aceitar esses cometários. Se continuasse a aceitar, a lista seria enorme, sobre as mesmas dúvidas.

O primeiro comentário que eu me lembro nitidamente que ela fez foi: porque essas crianças não conversam com seus pais sobre estes problemas?
Boa pergunta. O que as faz sofrerem sozinhas? Ou será que já conversaram, estão tentando e ainda está tudo confuso?
Será que o controle alimentar está exacerbado? Será possível ser saudável, mesmo tentando emagrecer? Será que ser magro é afinal, ser saudável? O que está por trás das nossas escolhas?

Minha colega me perguntou então, se poderia escrever um texto sobre tudo isso. E eu convido você, leitor, a ler, fazer uma análise crítica junto com a gente!

É possível ser saudável? por Eliane Rebechi

“Acho que a culpa é minha”. Muitas vezes ouvimos mães se culpando porque o filho ou filha está com sobrepeso ou obesidade. Os profissionais de saúde, parentes e amigos, geralmente fazem coro culpando os pais, (principalmente a mãe) por não conseguirem manter os filhos longe das comidas “engordantes”.

Ser magro virou sinônimo de ser saudável.  Nos sentimos culpados se vamos a uma festa e comemos um pedaço de bolo e dois brigadeiros. Nos dia seguinte vamos nos privar de tudo com medo de acumular peso.

As crianças com 6 ou 7 anos, principalmente as meninas, estão preocupadas com o aumento de peso e muitas já fazem “dieta”, mesmo aquelas que não apresentam nenhum excesso de peso, mas ansiosas e pressionadas, “prevenidas” para o futuro.

Meninas e meninos que poderiam estar curtindo a infância brincando, fazendo travessuras, estão sofrendo de ansiedade, baixa autoestima e insegurança. Vivem agitadas, preocupadas com medidas, maquiagem, imagem perfeita e sofrem de angustia muito precocemente.

E os pais? Geralmente confusos, também pressionados pela mídia, pela escola e por profissionais de saúde que esperam que eles “contenham” seus filhos, não permitindo que eles engordem. E para “ajudar” esta luta, um número sem fim de empresas comprometidas, é claro, com lucros em primeiríssimo lugar: as indústrias farmacêuticas (está aí o alto consumo de Rivotril, receitado sem escrúpulos para crianças, que comprova); as indústrias de cosméticos que prometem beleza, firmeza e felicidade em potes bonitos e atraentes; as indústrias alimentícias que vendem todas as “tranqueiras” que engordam, entopem as veias, causam hipertensão, mas que para compensar (perversamente) lhe oferecem os alimentos diets, lights, integrais, sem gorduras trans, com fibras, etc., etc.; as academias que prometem corpo “sarado”, escultural, “barriga negativa” e o sonho inatingível do corpo perfeito; as dietas milagrosas; as revistas que ensinam que ser feliz é ter dentes perfeitos, pele clara, cabelos compridos e lisos, usar o perfume X, óculos Y e as roupas de grife, claro nº 36.

Como chegamos a isto? Consumir produtos, viagens, carros, ter sempre mais, ser competente, proativo, superar metas, ufa! E a mãe mulher que é cobrada por todos para ser mãe exemplar, presente, atenta e que acompanha os filhos nas suas tarefas, na hora das refeições, na escola, nas suas relações sociais, e, ainda deve ser excelente profissional, estudar muito, administrar a casa com graça e beleza, ser boa filha, amiga, companheira e acima de tudo amante sexy, magra e malhada. Me perdoem, mas isto é cruel e impossível!
Porém, tentamos! Aos trancos e barrancos, às vezes à custa de muita Fluoxetina. E sentimos culpa, muita culpa porque acreditamos que somos inteiramente responsáveis, caso algo não dê certo.

E assim , adoecemos, ficamos estressadas, compensamos comendo mais do que precisamos, nos sentimos pior, tomamos mais remédios, ficamos mais deprimidas....e assim cumprimos um ciclo que dá muito lucro para as empresas e muita angústia para nossas gerações de jovens e crianças que não têm a oportunidade de vivenciar que corpo saudável é corpo que se movimenta com prazer, que brincar, ter amigos, aprender coisas novas, experimentar novos sabores, cair, levantar, machucar, perder amigos e ficar doente faz parte da vida e é assim que se aprende a gostar de viver, gostar de si próprio, respeitar o próximo e a natureza.


Precisamos dar novo significado para o que é ser saudável e para isto será necessário transformar, criar, ousar pensar diferente, ser crítico não se deixar levar pela mídia ou modismos, ser valente para descartar o que não lhe serve, ou que você usa só para agradar os outros. Sim, é possível ser saudável.  


segunda-feira, 7 de julho de 2014

Panqueca doce estilo "pancake" (receita sem trigo, sem leite)

Olá pessoal

Eu amo batata doce. Assadinha então.. hum... e há uma semana elas estavam lá, olhando pra mim. Mas eu as guardei. Queria testar essa receita há tempos. Coisa boa para variar o café da manhã ou o lanche da tarde, boa pedida nas férias. Boa para controle glicêmico por conta da canela e da batata doce (alô alô grávidas com diabetes gestacional - sem a canela-, crianças que precisam controlar o peso) e ótima para os alérgicos (atenção só a presença do ovo). E além e principalmente, é gostosa pra caramba!

Ingredientes

 2 batatas doces pequenas (ou 1 grande)
 2 ovos caipiras médios
 1/2 banana grande ou 1 pequena
 Pitada de sal, canela, gengibre
Azeite, manteiga ou oleo de coco para cozinhar

Cozinhe a batata doce descascada em água (a receita original é com ela cozida- eu assei e coloquei um pouquinho de água, só um pouco, na massa). Em um processador adicione a batata, ovos e banana (para adocicar).Ou usa um mixer para transformar a batata em um purê e depois misture o resto. Adicione o bicarbonato e temperos a gosto. Agora, pra mim, foi a parte mais complexa. Deu certo em um grill elétrico que eu tenho. A frigideira tem que ser muito antiaderente, se não, gruda. Coloque a quantidade de ¼ de xícara na frigideira untada, vire, deixe mais ½ minutos e sirva.



Comi as minhas porções com mel e cream chessee. A Bia, com geleia de fruta sem açúcar e sem adoçante!

Bom apetite!