sexta-feira, 20 de março de 2015

Vilarejo - é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança

Diz um ditado africano: É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança



Vivendo entre essa  toda a sorte de mães,pais e famílias, mais a gente percebe tão rica é a vida da maternagem, e quão desafiadora ela pode ser. Quando li esse ditado, achei que nada fazia mais sentido. Já vi minha mãe comentando: tive duas filhas e não era assim, eu dava conta. Mas também lembro claramente que, por exemplo, quando minha irmã mais nova nasceu, fui transferida por cima do muro para a casa da vizinha, e lá fui muito bem cuidada até minha mãe voltar com o novo pacotinho que tinha minha irmã.

Depois cresci em um bairro onde as pessoas se ajudavam muito. Eu, por exemplo, aprendi a cozinhar com minha vizinha. Visita das tias eram comuns e, mesmo meus pais trabalhando muito, existia uma comunidade para ajudar a cuidar de mim, da minha irmã.

Hoje, você sabe: não é mais assim. Tenho um vizinho de porta que tem um bebê de um ano aproximadamente. Eu nunca troquei uma fralda dele. Nunca cozinhei pra mãe dele. Eu mal conheço seus pais. Nada além do bom dia e do boa tarde do elevador.

Percebi que a gente perdeu conexões que auxiliariam a cuidar dos nossos filhos. Nossas conexões agora são virtuais – a troca de mensagens nos grupos do facebook, no whatsapp. Palpites, conversas, mas não tem a ajuda em si. E a gente tem dúvida, né? A gente queria um apoio. A gente se preocupa. Se preocupa bastante

Na ordem da preocupação das mães, coloco a alimentação no topo delas. Não estou dizendo que todas as mães são naturebas ou se preocupam se a criança está comendo segundo as últimas indicações do protocolo. Estou falando da preocupação visceral: está comendo?  Está nutrido? É o suficiente para sua nutrição? Está crescendo saudável (seja na barriga ou fora dela?)

No consultório de nutrição, a gente fala das indicações, claro, mas fala muito dessas questões profundas. Como fazer meu filho ter um bom relacionamento com aquilo que o nutre? Pode ser na amamentação, na alimentação na saúde ou na alimentação na doença. E atender no consultório, eu e a paciente, eu e os pais e o paciente, é legal pra caramba. O máximo, posso dizer. A essência da hashtag #lovemyjob. Mas às vezes, eu enxergava questões, que dentro do trabalho do consultório, eu não poderia auxiliar.

Não fazia parte do escopo. E aí, aquela família ia pra casa e eu sabia, dava pra oferecer mais, se eles quisessem. Dava pra fazer uma aldeia. Dava pra fazer um Vilarejo!

E aí, nasce esse lugar, essa junção de serviços pensando em tudo o que poderíamos fazer para cobrir essa preocupação da nutrição, tudo o que  passava pela minha cabeça e da minha querida sócia, Juliana, mãe de dois.

 Um cardápio com receitas ajudaria? Um atendimento de introdução alimentar com receitas? E se esse atendimento fosse em grupo, para as mães poderem aproveitar não só a aula, mas a companhia delas? Que tal se você pudesse receber em casa produtos saudáveis já com receitas, sem precisar passar horas no mercado? E a amamentação? Se tivesse uma consultora de prontidão em cada espaço de São Paulo? E se tivesse uma pessoa para ajudar a puérpera, tipo uma vizinha especializada? E se a comida pudesse chega pronta para eu ficar com meu filho?

Tem tudo isso aí. E tem mais, tem parceira com gente do bem, gente como a gente, mães como a gente. Parceria se você quiser benefícios na escola do seu filho, tem a  nossa querida culinarista, mãe de um sortudo garoto chamado Dudu, que vem lá da terra do R puxado de vez em quando ajudar e ensinar alguma coisa pra gente.


A gente quer filhos fortes, peitos fartos de amor, frutas em qualquer quintal. São nossos sonhos semeando o mundo real. E a gente garante muito amor, para quando você for!



O blog continua. O consultório continua. Tudo continua. E com mais.

Beijo grande