quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Relactação - um relato de sucesso!

Um dos posts de maior sucesso aqui do blog é o de relactação. E melhor do que descrever a técnica, é saber o que passa na pele e na cabeça de uma mãe  que realmente passou por isso na pele.
E por isso, há algum tempo atrás, pedi para uma querida e guerreira mãe dividir a história dela com a gente!
A Denise Pimenta escreve o blog "A mãe do Léo", e eu indico especialmente dois lindos posts dela sobre amamentação: um poema e um pouco de história, com os benefícios da amamentação relatados.
 
Fica á vontade, Denise, e obrigada pelo depoimento!

Essa é a Denise e o Leo!


Relactação

Por Denise Pimenta

 
"Para chegar aonde devemos, ao assunto principal, devo começar contando nossa história, nossa experiência, que deu certo e muito!
Antes mesmo do nascimento do meu bebê, veio o colostro, vazava na cama, de chegar a molhar, e eu morrendo de felicidades por ver o leitinho, alimento do meu filho jorrando, abundantemente do meu seio.
Eis que a primeira lição: só ter o leite não basta. Amamentação depende de muitos fatores e não somente ter o leite.
Leonardo nasceu as 22h18minhrs e não mamou nas primeiras horas de vida, foi para o alojamento conjunto somente as 05h00minhrs, o que me leva a pensar que ele foi alimentado com fórmula durante esse tempo em que ficou longe de mim. Quando chegou no quarto, tentei amamentá-lo e ele sugou fortemente duas vezes, e já dormiu novamente. No outro dia, com orientações de enfermeiras, tudo se repetia, abocanhava, sugava duas a três vezes e dormia. Fomos para casa passadas 24hrs na maternidade, e o meu menino quando não estava dormindo, estava quietinho, no outro dia com ele em casa, e o desespero começando a bater, entramos em contato com o Banco de Leite de nossa cidade, aonde me orientaram via telefone a ordenhar o meu leite e oferecer a ele, consegui com muita dor, ordenhar 40ml de leite, e ofereci na mamadeira, com riscos de ele nunca mais pegar o meu seio. Ele mamou firmemente e desesperado a mamadeira em poucos minutos, ele sentia fome. Passada uma semana, em consulta, Léo tinha perdido aproximadamente 400 kg, foi quando recebi uma receita para alimentá-lo com fórmula, e sai de lá desnorteada, procurei o banco de leite desesperada, com olhos marejados, para mim o sonho de amamentar estava um passo do término.
Minha produção de leite baixou por isso a indicação de relactação e complementação com o leite artificial. Nas primeiras vezes relactando, eu ainda não tinha a prática de inserir a sonda na boquinha do bebê, assim como me orientaram no BL, eu colocava a sonda nº4 no meu dedo mindinho a parte maior no recipiente com o leite artificial e inseria o meu dedo na boquinha dele, complementávamos 30 ml de leite artificial a cada duas horas, após as mamadas no peito. E assim fomos durante aproximadamente 15 dias, nos dias que seguiram, consegui inserir a sondinha junto à boquinha do meu bebê, então a relactação fazia seu papel realmente, pois como se deve saber, a produção de leite se dá assim: quanto mais há sucção, maior a produção, e como dizem leite no peito não é estoque é fábrica, quanto mais de dá, mais se tem.
E assim persistindo, com muita paciência, chegamos a passar horas a fio, nas nossas mamadas, sentindo emoção ao ver o pequeno sugando e tomando meu leite, conseguimos estabilizar a produção, e em 45 dias, tivemos alta do acompanhamento no Banco de Leite, e seguimos somente com o meu leite. Léo mamou exclusivamente durante os seis primeiros meses de sua vida, com muito orgulho desse meu poder de mamífera. Tornei-me doadora do estoque de leite do banco de leite, e ainda hoje, com a introdução dos sólidos, ele ainda mama em livre demanda, isto é, quando ele solicita, estou disponível a ele, é apaixonado pelo leitinho da mamãe e eu apaixonada pela alimentação e minha melhor opção de amamentá-lo."
 
Emocionante e inspirador, né?

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Para as crianças de fibra! Mas se seu filho está magrinho, também vale a pena dar uma olhada!

Olá pessoal
 
Recebi uma solicitação muito especial de uma mãe com um filhinho com uma patologia chamada fibrose cística. Me tocou, foi sobre essa doença que escrevi ao terminar minha especialização em pediatria. E estou aqui, escrevendo em homenagem a Erika Moreira  e todas as mães de fibra.
 
A fibrose cística é também conhecida como "doença do beijo salgado", pois a pessoa portadora da doença elimina quantidade extremamente alta de sódio, cloro e potássio no suor. Logo, seu suor é mais salgadinho. E no momento que a mãe carinhosamente beija seu filho, sente o sabor salgado.
 
Uma explicação rápida: a fibrose cística é caracterizada pela disfunção das glândulas exócrinas, que produzem muco mais espesso, o que pode obstruir os ductos de alguns orgãos, causando doença pulmonar crônica e  insuficiência pancreática.
 
Aí a nutri entra: a função pulmonar e o estado nutricional tem relação -  um emagrecimento com perda de massa magra, de músculos, pode influenciar os músculos respiratórios ao mesmo tempo que uma doença pulmonar demanda muita energia do organismo. Vira um ciclo vicioso. E a insuficiência pancreática atrapalha a produção de enzimas, causando má absorção de nutrientes. Muita necessidade, pouca absorção. O estresse que a doença causa também pode causar inapetência na criança. Estudos indicam maior prevalência de anemia em fibrocísticos.
 
Portanto, cuidar da alimentação do fibrocístico é extremamente importante. Essa criança pode ter deficiência de importantes vitaminas, pela baixa absorção. As mais comuns são vitamina A, E e D.
A vitamina A e a vitamina D tem um papel fundamental na proteção do pulmão. E a vitamina E é antioxidante, também importante para a imunidade.
 
E para garantir a energia dessas crianças? Quando pensamos em engordar crianças (me senti a Bruxa do João e Maria agora!), o que eu mais vejo por aí é tentar aumentar farináceos (dá-lhe engrossantes!), ou até enchê-las de açúcar. Pensem comigo: açúcar é carboidrato, que tem 4 kcal por grama. Gordura tem 9 kcal por grama! Não seria mais eficaz? E encher uma criança de açúcar só vai educar o paladar dela para querer mais açúcar.
 
E é isso que precisamos fazer com os fibrocísticos, 40 a 45% das suas energias precisam vir da gordura. Uma criança saudável que precisa ganhar peso também pode ter o mesmo raciocínio, cerca de 30% da energia da sua alimentação pode vir de gordura. E pessoal, isso é bastante! Pensem na comida de um bebê. A grosso modo, 100 gramas de  papinha feita sem gorduras (claro que a carne tem gordura, mas é só pra visualizar), precisaria de 30 ml de um bom azeite. Uma colher de sopa tem o que, 13, 15 gr? Bora botar mais gordurinha boa na comida dos magrinhos!
 
Lembrando que o jeito mais fácil de adequar as gorduras da dieta é consultando uma nutri, e o fibrocístico que aumenta o aporte de gorduras da dieta, precisa verificar se a suplementação enzimática está ok!
 
Para trazer isso pra realidade, trouxe uma receitinha que contém gordura, vitamina E, vitamina A, vitamina D, gorduras boas... tudo de bom, nutricionalmente falando. E tudo de bom, saborosamente falando.
 
Sorvete de manga e abacate
 
 
 
2 potes de iogurte integral natural (tire o soro, se der)
500g de manga madura congelada (cortar em cubos e congelar)
500gr de abacate
2 colheres de sopa de óleo de coco
Mel silvestre para adoçar
Castanha de caju sem sal para polvilhar
 
Bata separadamente, com um mixer, um pote de iogurte com o abacate e  mel, até dar o dulçor que prefere, e o iogurte com a manga e o óleo de coco.
Para ficar lindo, monte em camadas em copos de papel, como na foto abaixo. Comece pela castanha de caju, e faça camadas de sorvete verde, sorvete amarelo. Depois, deixe no freezer ou congelador por 12 horas!
 
Aqui é sorvete de laranja com kiwi, mas a ideia é a montagem! Fica lindo, não?
 

Para dias de calor é ótimo.
Mães de fibra, aqui vocês tem um espaço para tirar dúvidas sobre a alimentação dos seus pequenos. Vira e mexe, vou postar outras coisas. E mães de magrinhos, essa receita para maiores de 1 ano, por conta do mel. Substitua o mel por uma banana, em dias de calor pode ser o lanche da tarde para bebês de 10 meses!
 
Beijos e até a próxima!