segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Carta para a mãe que não amamentou o quanto quis

Eu tenho ideia do que passou. Você tentou, dentro do que lhe foi possível. Puerpério não é fácil, e tenho quase certeza que ninguém te informou sobre aleitamento ainda no parto, quando deveria ser. Aliás, parecia uma coisa simples né? As fotos são de belas mulheres amamentando calidamente seus filhos. Algumas pessoas diziam que era difícil, mas a gente acha que vai dar conta ué!

Só, que, no caminho, acontecem coisas que a gente não pode explicar, ou prever, ou até mesmo, aguentar. Foi um bebê que não ganhou peso, foi um machucado grande, uma internação, uma indicação inadequada de complemento, muitos palpites.
Eu sei, a primeira mamadeira foi dada com pesar. Esse não era seu plano.

O tempo passou, e tudo ficou mais claro. Talvez, ao olhar para trás, você consiga enxergar o que poderia ter feito de diferente. Hoje, mais envolvida com a maternagem, sabe que poderia ter achado o apoio certo. Isso, às vezes, ainda te deixa culpada.

O que eu queria escrever é o que já te falaram, mas em relação à outras coisas: nada é em vão. E você, mulher que não amamentou o quanto queria, tem um papel fundamental na nossa sociedade, na luta pela amamentação. Sua história com a amamentação não acabou aqui.
Você pode ter outro filho, e as coisas podem ser diferentes. Já vi isso acontecer algumas vezes! Você é diferente hoje. Se ter outro filho não for um plano, você pode, no futuro, ajudar seu filho ou sua filha com a história da amamentação dos filhos deles. Você terá mais experiência. Você conhece o outro lado! Mas principalmente, você pode ajudar outras pessoas, pessoas próximas,  com a sua experiência. Hoje, depois que passou, fica mais fácil observar se existiria um outro caminho a ser percorrido. Ou não. Mas você é um elo importante nessa história, principalmente se fizer as pazes com seu passado, e entender, finalmente que sim, você amamentou o quanto poderia ter amamentado, dentro da sua história. Seja um dia, dois dias, três meses. E isso, qualquer gota de leite, foi importante para o seu filho!

Você é muito importante nesse apoio que tanto busco, em relação à amamentação das mulheres que estão ao nosso redor. Sua experiência é importante.

E o mais importante: amamentar é uma das coisas que a gente faz como mãe. Não é a única.  Alimentar com carinho, isso você poderá fazer a vida inteira! E eu sei, você faz isso como ninguém, e o mais importante: seu filho, aquele que te ama sobre todas as coisas, sabe!


Beijo grande

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A distração que embala a refeição!



Isso é um sintoma/ situação da modernidade. A criança, brinca, pula, estimulada, ativa demais, não consegue parar. Ou o contrário, calma, tranquila, mas não tem o interesse pela comida. Com a ideia que “não importa como ou o quê coma, o importante é que coma”, a TV ou alguma tela entrar em ação para fazer a criança “comer melhor”(?).

Talvez a mãe se lembre de como tudo começou. Talvez, essa situação já esteja tão “entranhada” na rotina, que mal dá pra saber. E o maior problema é escapar da armadilha que fizemos pra nós mesmos.

Mas afinal, qual o problema de comer sentado em frente à TV? Qual o problema de distrair a criança para conseguir mais uma colherada?



A nutrição tem muitas linhas. Quem lê esse blog deve saber disso. Depende de quem você lê, as orientações podem divagar. Mas existe um, um único assunto que todas as linhas da nutrição concordam veemente. Se você gosta da alimentação ayurveda, se na verdade se interessa por medicina chinesa, se gosta é da nutrição funcional, se faz mais o estilo “comida de verdade”, se curte mais o estilo James Oliver ou o estilo Bela Gil, qualquer dessas linhas de raciocínio dirá:

“Mantenha sua atenção na refeição que está fazendo”.

Isso é tratamento para compulsão alimentar, isso é incentivo para a mastigação mais lenta, isso é convite para a prosa no momento da refeição. Se nossa atenção não estiver na comida, estamos tentados a comer mais do que precisamos, mais rápido do que devemos e possivelmente, iremos nos isolar, a digestão não será a melhor. Comer em frente a TV é um dos primeiras prerrogativas para a indução da obesidade na infância.  E , nós adultos, lutamos todos os dias para mastigar mais, direito, sabendo da máxima “estômago não tem dente”.

E quando vamos pensar em educar nossos filhos – por que educação alimentar também faz parte das nossas responsabilidades como educadores-, esquecemos da máxima, e pensamos: o importante é comer. Não gente! A maneira que se come é tão importante quanto o que se come.Até mais! Comer com prazer, devagar, saboreando, aproveitando a refeição, é um dos maiores ensinamentos – se não o maior – que podemos deixar para nossos filhos.

Enfrente seus medos! O medo principal é a criança deixar de comer? Deixar de comer o que você quer que ela coma? Pense grande, pense longe... comer embalada por uma tela não garante bons hábitos alimentares. Se tiver dificuldade no processo, peça ajuda. Mas pare, pense, estipule regras e tente sair da linha de conforto em que seu filho come apenas em frente à TV.

Alias, para isso, já sabe né? Adultos precisam desligar a TV também. O jornal Nacional, por mais que não interessa a criança, te distraí para um momento que você deveria estar inteiro!

E para terminar, gostaria que prestasse atenção comigo nesse vídeo. Um pai, provavelmente cansado com recusas alimentares, acha um “macete” para o filho comer. Um vídeo bem animado. Agora olhem com mais atenção: quantas colheres a criança come em menos de um minuto? O quanto ela tenta mastigar? – bebês nessa idade já fazem movimentos de mastigação. O quanto isso está sendo prazeroso para a criança?




Crianças são ensinadas todo o tempo. Não, não dá pra controlar tudo. Mas esse pode ser o ponto mais importante a se controlar quando a gente se refere à uma boa alimentação!

Beijos!!