terça-feira, 30 de abril de 2013

Perguntas e respostas sobre a criança que não come

Olá pessoal!


Há pouco tempo, saiu uma matéria no jornal Folha de São Paulo sobre dificuldades alimentares com o minha participação. A matéria ficou bacana, uma mãe de um querido paciente meu foi entrevistada. Quem quiser dar uma olhada, leia aqui.
Queria aproveitar a oportunidade e colocar aqui a matéria completa que a jornalista fez comigo, pois nem tudo sai nos jornais, e acho que as informações são importantes para os pais dos pequenos que não comem.
Lembre-se: existe luz no fim do túnel. Aqui fala uma mãe de uma ex garota que não come!



Sobre crianças que "não comem": quando esse problema começa a surgir? E quais são as principais causas e o tratamento?
Geralmente, as crianças começam a apresentar diferenças no apetite próximas a completarem 2 anos. Sua demanda nutricional diminui e o apetite, consequentemente, diminui. Porém, o distúrbio pode atrapalhar a vida de bebês e de crianças mais velhas também. As causas podem ser muitas, como causas orgânicas (por patologia), dietéticas (por conta da refeição em si, quando a comida não é adequada ou gostosa para a criança) ou comportamentais (por conta da dinâmica familiar e da casa). O tratamento é sanar as questões orgânicas, e muita educação alimentar para a criança e a família. Utilização de suplementos alimentares podem ser úteis durante o processo crítico de educação alimentar, para que a criança não tenha prejuízo em seu crescimento ou desenvolvimento. Mas tal medida precisa ser realizada com orientação de nutricionista ou pediatra.
 
Qual a parcela de responsabilidade dos pais ou cuidadores no surgimento de distúrbios alimentares de crianças pequenas?
As dificuldades alimentares podem aparecer por problemas orgânicos, como uma anemia, uma disfagia, um refluxo, uma virose, ou por questões comportamentais. Ou pode começar com uma questão orgânica, e se transformar em um distúrbio devido ao comportamento dos pais nesse momento. A dificuldade alimentar acontece em muitas casas, a resposta dos pais ou cuidadores a essa questão pode ajudar perdurar ou não o problema. A dificuldade alimentar é um processo de duas mãos, que é a resposta dos pais/cuidadores às necessidades alimentares daquela criança (não só nutricionais, mas alimentares mesmo). Portanto, de certa forma, os pais são responsáveis por auxiliarem os filhos a terem um “relacionamento” mais saudável e prazeroso com a alimentação.

 
Quais são os principais erros que pais e cuidadores cometem?
O principal erro é o mais difícil de combater, que é a ansiedade materna ou da família/cuidadores. A criança sente e fica mais difícil ficar à vontade para comer. Outro erro comum é que os pais querem decidir o quanto os filhos comem. Eles devem decidir como servir, o que servir, mas a quantidade fica com a criança. Dá insegurança achar que o filho come “pouco”. Aí a ansiedade ou o autoritarismo (forçar a comer) podem destruir esse pouco apetite que a criança teria. Outro erro comum e simples de evitar é alimentar a criança sem hora certa, deixando-a à vontade para comer quando quiser. Uma rotina com horários estruturados auxilia no processo, já que trabalhamos com a fome ao nosso favor, o fator decisivo para as crianças com dificuldade alimentar.

 
O que você recomenda para que a hora da refeição seja mais tranquila e para que os filhos sejam menos seletivos?
Primeira coisa é ser o exemplo. Não adianta querar que o filho coma espinafre, se você os pais ou cuidadores não comerem. Comentar positivamente sobre o que tem na mesa, como por exemplo,"que delícia de espinafre”. Comentários positivos ajudam a criança entender que outras pessoas gostam de espinafre, espinafre pode ser bom, deixa os pais satisfeitos, daí a criança pode querer provar o espinafre ou não. Mas o reforço positivo foi feito.
Servir sempre os alimentos que a criança não aceita, mesmo diante da recusa. Crianças são imprevisíveis, e de repente adoram o que nem queriam provar. Estudos comprovam que é necessário oferecer o mesmo alimento 8, 12 vezes para ver se a criança gosta.
Organizar os horários das refeições e não servir absolutamente nada entre elas, apenas água. Assim, a criança chega a na mesa com fome, mais propensa a comer o que for oferecido.
Durante a refeição, nada de distratores, como a tv ligada, tablets, computadores, ou mil e uma estripulias. A refeição tem que ser um momento prazeroso e calmo. A atenção da criança precisa estar na refeição (essa é difícil, mas é muito importante).
Limitar o tempo que a refeição dura. Se não comeu nessa refeição, só na próxima deve ser alimentado. Fazer isso com tranquilidade, uma criança não ficará doente se pular uma ou duas refeições.
Tolerar a bagunça para a idade é importante. Limpar a criança a cada minuto pode deixá-la irritada, e não estimula todos os sentidos da criança. Deixar a criança pequena eventualmente se alimentar com as mãos estimula outros sentidos, como o paladar, o olfato, e dá mais prazer a alimentação.
Incentivar a criança a se alimentar sozinha, dando- lhe autonomia, e portanto confiança no processo de se alimentar.
E principalmente, se manter neutro durante as refeições da criança. Nem parabenizar demais, nem ficar irritado com a criança.
Essas são atitudes responsivas, e a curto e a longo prazo, auxiliam as crianças a passarem por essa fase de dificuldade alimentar. Porém, uma educação alimentar orientada quase sempre é necessária. O nutricionista pode auxiliar colocando, passo a passo, o que a família precisa fazer, de acordo com sua realidade, suas expectativas, sua cultura e sua rotina. Essa orientação dá segurança para os pais seguirem em frente.
 
 
E para terminar esse bate-papo de hoje, aproveito para agradecer a Abbott por disponibilizar encontros para discutirmos tão rico assunto entre a blogosfera materna ;)
 

terça-feira, 2 de abril de 2013

Relato: amamentar gêmeos exclusivamente até os 6 meses! Sim, é possível!

A amamentação é um assunto que me encanta, me emociona. Dada a minha história, vocês devem imaginar. Sou fã e defensora entusiasta da amamentação!
Creio que os exemplos, as histórias de quem conseguiu, sempre nos incitam a querer mais, a também conseguir. Aí, tive o prazer de conhecer uma pessoa querida, que é mãe de três, e que me contou a história dela. Não dava pra não dividir!
Ela é a Thais Scavassa, autora do blog Dudu eu e + 2 e uma das sócias da loja Leão Leãozinho, com artigos para bebês. Ela é tão bacana que disponibilizou o contato para conversar direto com ela: thais.scavassa@bol.com.br. Vale e-mails de elogios também!!

Obrigada Thais! E parabéns pela sua empreitada! A saúde dos bebês agradecem!!
 
Quando estava gravida do primeiro filho, eu me informei um pouco sobre amamentação, mas confesso que não foi muito, sei la na minha cabeça isso era natural e iria acontecer de qualquer forma.
Comprei conchas, comprei protetor de silicone, comprei uma bomba de tirar leite, sutiãs próprios, aqueles protetores descartáveis, uma pomada e só.
Dudu nasceu e amamentar foi fácil, ele tinha uma boa pega, eu tinha os aparatos que considerava necessário, e foi assim simples e fácil por 1 ano e 2 meses.
Segundo filho planejado e tudo lá guardadinho pra ser usado novamente na amamentação, mesmo sabendo que algumas coisas eu não precisaria, eu guardei tudo, afinal sempre ouvimos por ai que cada filho é um filho. E ai no primeiro ultra, vem a noticia de que são gêmeos, depois disso, minha única preocupação era o parto, eu não queria uma cesária, passei 39 semanas pensando nisso, quando eles nasceram, estava tudo ótimo, porem a menina tinha 2,400, já o menino tinha 2,800 mas fez uma hipoglicemia, como eu ficaria só 2 dias no hospital, eles resolveram levar os 2 pra semi intensiva e monitorar melhor. Foi ai que começou meu drama da amamentação. Logo no berçário o complemento era obrigatório por que eles eram gêmeos, quando foram pra semi, eles tinham horários de mamada, e se a mãe não fosse amamentar, eles davam leite artificial. E foi assim, de 3 em 3 horas eu estava lá, nos intervalos eu ia ao banco de leite e tirava leite para as mamadas da madrugada. Mas isso não aprecia ser suficiente para os médicos da semi, eles queriam ganhos de peso absurdos e ficavam controlando o tempo da mamada.
 
Algumas vezes eu chegava no horário da mamada e a enfermeira dizia que um deles já tinha tomado o leite artificial porque tinha chorado de fome, outras vezes eu pegava o menino pra mamar e ele entrava em desespero, não pegava o peito direito, depois de tentar muito, vinha a enfermeira com um copinho e dava o leite, ele que não era bobo nem nada adorava, vinha em grande quantidade e ele não tinha que fazer esforço algum pra tomar.
 
Percebi que era um ciclo vicioso, os médicos mandavam as enfermeiras darem o leite, muitas vezes eu chegava e eles estavam dormindo com a barriga bem cheia. Foi então que percebi que se eu não liberasse o leite, eles não sairiam de lá, liberei o leite, mandei comprar uma mamadeira de bico 0, e logo no outro dia eles tiveram alta. Foram 5 dias de muito complemento e quase nada de amamentação.
 
Sai de lá com 2 bebês viciados em copinho e leite em abundancia, 2 receitas de NAN e o retorno em um grupo de amamentação do próprio hospital para acompanhamento.
Fui pra casa com uma bebês de 2,200 e um bebe de 2,600, a menina só dormia e pouco mamava, já o menino queria muito mamar, mas por causa do copinho ele não tinha paciência de sugar.
 
Tive medo claro, na minha casa não tinha mamadeira e muito menos leite artificial, foram 2 dias acordando a menina pra mamar e fazendo malabarismo pro menino ficar calmo e sugar.
 
Eu só pensava que chegaria na pediatra e ouviria a mesma ladainha de sempre, que não poderia amamentar por que eram gêmeos. Isso não entrava na minha cabeça, se eu posso ter 2 filhos ao mesmo tempo, eu posso amamentar também.
 
Fui na pediatra, e o ganho de peso deles foi muito acima do esperado, eles estavam ótimos e era pra continuar assim, amamentando.
E assim foi até 6 meses exclusivo e depois até 11meses quando eles mesmos decidiram parar.
 
Na pratica eu amamentava quando eles queriam, sem marcar no relógio, sem saber quanto tempo eles mamavam, nunca reparei também em quem mamou qual peito, eu sempre oferecia o mais cheio pra quem queria mamar. Tinha madrugadas que eu acordava umas 20 vezes, e tinha madrugadas que não acordavam, e foi assim que ganhei umas 3 mastites nesse meio tempo.
Foto: google
 
 
Se foi difícil, eu digo que nem tanto, eu me acostumei e me adaptei a rotina, nunca pensei que não teria leite ou não daria conta, e talvez foi isso que me ajudou.
E sobre o grupo de amamentação que o hospital me mandou ir?? Ahhh eu fugi claro!!!
 
Hoje eu sei que amamentar é uma coisa muito individual, cada bebê é de um jeito e cada mãe é de um jeito, mas ter exemplos positivos, nos fazem acreditar que é possível sim.
 
Sim é possível! Acredite no seu poder de mamífera, se informe, muna-se de informações. Você consegue!