terça-feira, 27 de maio de 2014

O bebê, a mãe e a livre demanda

Ainda não consigo descrever muito bem o momento tão esperado do nascimento do filho. Converso incansavelmente com as mães que conheço e ouço vários relatos: me senti emocionada, me senti diferente, me senti deslocada, ouço.

O que eu sei: parece que uma realidade ficou para trás e renascemos, de uma forma ou de outra.



Percebo a maternidade acontecendo para mulheres fortes e de repente, a insegurança aparece. Afinal, é tudo tão novo. Mãe de primeira viagem. Não curto muito essa definição, afinal, somos todas mães de primeira viagem. Cada filho é um filho, e uma viagem diferente. E esse título muitas vezes parece pejorativo, como se uma mãe, por ser inexperiente, não pudesse saber o que seu filho quer, deseja ou necessita.

E nesse super redemoinho de emoções, precisamos estar prontas para a segunda parte da gestação: amamentar. Um momento tão novo, tão emocionante, tão carregado de cobranças internas e externas.

Cada pessoa que visita essa mãe tem um palpite, uma dica infalível. Isso quando as histórias tristes não aparecem sorrateiras.. você faz assim? Minha prima fez isso, e olha, deu tudo errado...

Nossa geração, o aqui e agora, é repleto de informações, ultra tecnologia, pomadas, materiais, técnicas, protetores, apps. Quem começou a amamentar usa um aplicativo medindo tempo, duração. Os aplicativos comparam uma mamada com outra e trás a informação: quão eficiente estou sendo nesse processo? Racionalizando tudo.

“Não deixa no colo, mal acostuma. Espera para amamentar, acho que não deu tempo de dar fome. Deixa no berço, essa criança vai ficar com manha. Não dá peito toda hora, você vai ser escrava da criança. Vai ficar muito dependente. Parece cólica, o que você comeu hein”?

E a mãe ouve, dentro de sua cabeça: será que dou conta? Sou competente para isso? Tanta coisa, tantas regras. Machuca o peito. Precisa de complemento, não sou suficiente?

E assim, com tanto barulho em volta, silenciamos a intuição da mãe...

(...)

Volta tudo. Vamos concentrar no que é importante. Esqueçam os tablets, peçam licença às visitas. Se tiver dúvida, respira e pensa: afinal, o que garantiria o bem estar do meu filho?

Seu filho precisa de uma coisa: você. Você em livre demanda. Colo de mãe, colo de pai. Voz de mãe, voz de pai. Você dentro dele, através da amamentação. Vou te falar a verdade: essa de bebê mamar de 3 em 3 horas é regra de hospital. Em casa, muitas vezes não funciona. Não funciona!! Principalmente no primeiro mês. A livre demanda é ESSENCIAL para que a amamentação dê certo, para você e para ele. Regula a quantidade de leite . Vocês não sabiam como fazer. Quando a gente não sabe o que fazer, precisamos treinar e treinar. Treine muito a amamentação. Sim, às vezes, ele vai mamar só pelo aconchego.  E qual o problema disso?

Tente corresponder as expectativas do seu filho, e faça por ele o que ele faz sem reservas para você: se entregue. Se deixe levar pela vontade de pegá-lo no colo. A sensação de perda da antiga vida acontece sim. Deixe ir. Sinta, e deixe ir.

Permita-se. Permita-se ser “sugada”, amamente sem reservas. Seu filho vai se adaptar depois. Prometo, ele não vai pra faculdade mamando em livre demanda. Isso passa, de verdade. Ele se adapta. Mas agora é muito importante!

Permita-se também não dar conta do resto. Foque no que é importante, no seu papel atual: ser a provedora do alimento que seu filho necessita.


Tablets, listas, regras, comparações, são importantes. Mas agora não. Agora, o importante é um copo d’agua, apoio, cuidado e um bebê bem aconchegado no nosso peito!

Boas mamadas ;)

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Variando o cardápio - bolinho de arroz assado

Bom dia pessoal

Manter um cardápio variado em casa é um desafio de criatividade.  E garantir esse cardápio com o mínimo de desperdício é sustentável, econômico e muito bacana!

Bolinhos são boas opções para uma porção de coisas: juntar os ingredientes da geladeira, incentivar aquela criança que não está comendo muito bem (perceberam como as comidas para comer com as mãos encantam os baixinhos?), apresentar um novo ingrediente de uma forma nova. Hoje, vou colocar aqui minha receita (ou minha forma de fazer - receita certinha aqui é difícil, como vocês verão) de bolinho de arroz integral, gostosa, saudável, varia o cardápio do arroz básico do dia-a-dia.

Algumas considerações: se seu filho vai comer bolinho de arroz, libere-o de comer arroz ou outro carboidrato na mesma refeição... servir bolinho de arroz + arroz + farofa é muito carboidrato, tudo junto. 
Faça molhinhos coloridos para seu filho "passar o bolinho" (Ketchup caseiro, iogurte com salsa, etc) ou sirva com uma sopinha. Fica divertido!





Bolinho de arroz integral assado recheado

Ingredientes

Arroz integral cozido, umas duas xícaras
2 ovos caipiras
3/4 de xícara de farinha de rosca (pode ser a metade da quantidade de farinha de aveia)
3 colheres de parmesão ralado (pode ser outro queijo mais duro)
Alguma verdura ou legume. Nesse coloquei couve picadinha igual "tempero", foi cerca de 3/4 de xícara. Mas serve cenoura ralada, beterraba ralada, escarola picada, abobrinha ralada, o que tiver. E pode ser tudo junto também
Um raminho pequeno de cebolinha picada

Para rechear:

Azeitona preta picada ou
Cream cheese ou requeijão caseiro.

Misture todos os ingredientes. Primeiro com a colher, depois com a mão. Deu uma boa liga? Comece a formar os bolinhos. Não deu? Experimente aumentar um pouco de farinha de rosca ou de aveia. É meio no olho, sabe? A massa fica molhadinha, mas dá pra fazer o formato. Para ficar mais legal, abra a massa e recheie.Fiz redondos com azeitona, compridos com requeijão. Pode ser em formato de bolinhos ou de "kibes".
Coloque em uma forma antiaderente ou untada com azeite,cubra com azeite (vá passando "fios" de azeite por cima), forno pré aquecido médio (cerca de 200 graus), forno. Após uns 15 a 20 minutos, com a ajuda de uma espátula, vire-os. A parte de baixo já está douradinha. Aguarde dourar tudo, retire do forno e sirva!
Fica demais com um pouquinho de caldinho de feijão (olha a foto) e uma saladinha de tomate cereja. Petiscos para o jantar!
Rústicos, cada um de um tamanho. Feito em casa é assim!


Bom apetite!

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Quando dizer não é difícil

Todos os dias, recebo e-mails, mensagens e comentários. Vários assuntos. E ultimamente, muitos com o assunto: meu filho está acima do peso. Por diversas vezes, o e-mail termina assim:

“ E ele( a criança) não entende e continua pedindo, implorando que quer guloseimas. Como fazê-lo entender que ele não pode”?

Respondo agora para as mães: o ideal é você dizer convicta, não, algumas vezes. Ele vai continuar pedindo. Mas ele nunca pode? Guloseima tem hora para comer. E você vai explicar isso pra ele. Possivelmente, seu filho não tem capacidade cognitiva para entender e simplesmente, parar de pedir. E você que o guiará nesse caminho.

Mas porque falar não, às vezes, é  tão penoso? Experimente dizer não 30 vezes por dia, e se verá louca para soltar um sim. Não queremos ser chatos. Queremos, como pai, ser amados. Queremos agradar. E falar não toda hora...

Mas claro, está no pacote, é necessário. Para a felicidade dos pequenos, é FUNDAMENTAL. E se entendermos o porquê dessa dificuldade, pelo menos no âmbito da alimentação, talvez fique mais fácil ter a segurança definitiva para falar o não necessário com segurança.
Por que afinal, é tão difícil?

Você não está convencida (lá no fundo) que realmente precisa:
O pediatra disse, alguém já comentou. A barriguinha do seu filho está um pouco maior que dos amigos – pode ser genético ou a estrutura dele, não? – você se pergunta. Acha que a infância é curta demais, e que é injusto limitar guloseimas e que, quem sabe, na época do estirão, tudo se resolve. Vez ou outra, sente-se culpada por conta da liberação excessiva (?) de indulgência, e proíbe alguns dias. Mas depois, libera geral novamente.
Se tem dúvidas se esse é ou não o caminho, converse. Se informe. Peça para a nutricionista ou o pediatra explicar, tim tim por tim tim aquela curva de crescimento que eles apontam pra você. E a verdadeira real, o quanto é grave? O quanto preciso me preocupar? Isso passa? Cada criança é uma criança, e deve ser tratada como tal.

Você sente culpa
Ahh a culpa materna/paterna! Parece que, em maior ou menor grau, um dia chega para nos assombrar. Você trabalha o dia todo ou cuida de mil coisas o dia todo. Você sai, e quando volta, acredita que alguma coisa pode compensar sua falta, um mimo, um presentinho. Sua criança está sentindo saudades e quer brincar, conversar, quando você precisaria de um minutinho para você – ou, pior, quando você chega, está caindo pelas tabelas de sono. Quando estão juntos, finalmente, é uma festa. Se divertem, brincam. E seu filho pede a guloseima. Você acha que ele merece. E libera, também, com um pouco de culpa. Afinal, quando e quanta  guloseima é demais?

Você recebeu diversos nãos quando criança e agora quer compensar
Quando criança, você via crianças comendo o que você gostaria de comer. Em excursões, escola, parque, sua curiosidade por aquela caixinha, chiclete, doce ou qualquer coisa era grande. E lá, em casa, era limitado. Quando você visitava um amiguinho, os hábitos eram diferentes. Daí você cresce, tem sua própria família. E você quer suprir tudo o que seu filho deseja, quer que ele seja feliz. Aí, coloca em casa o famoso canto da guloseima. No começo, tudo era festa. Agora você percebe que seu filho está engordando demais, está seletivo com a comida, o apetite pro almoço diminuiu e pras guloseimas, aumentaram. E agora?

Você não consegue dizer não para si mesmo
Você conhece de perto o problema do controle alimentar. Já fez ou faz dieta, e intercala comendo guloseimas. Se sente culpada por comer, eventualmente se sente feliz quando consegue não comer, se sente faminta no final do dia. Vez ou outra, pula uma refeição em busca de um corpo mais bacana, mesmo que já ouviu falar que isso não é bom pra saúde. Sua relação com comida não é saudável, você percebe. Aí, seu filho cresce. E quando ele começa a comer e pedir a mesma comida da família, os armários são recheados com aquilo que você come mas que, no fundo, não gostaria de comer sempre. E quando come, seu filho está lá, assistindo. Como dizer não para ele, se não consegue dizer não para si mesmo?

Você não saber medir o quanto dizer não
Você entendeu o problema. Precisa começar a dizer não para a comida de vez em quando. Colocar horários, regras, rotina. Pensa: se eu tivesse informação antes, provavelmente não passaria por isso. Já enfrentou o período de negação, de culpa, de planejamento, e está preparada para ajudar seu filho, da melhor maneira. Mas dizer não o tempo todo é saudável? Qual a medida certa para não ser um ditador? Será que meu filho vai se traumatizar? Será que, dizendo não, não reforço esse estereótipo que só magro é bom? Será que ele pode passar vontade? E quando ele chorar, o que eu falo? Será? Será? Será? (Nada como conversar com seu nutricionista de confiança para responder, juntos, essas questões)



Quando nós, pais, entendemos melhor o que esse possível controle significa na nossa vida, conseguimos caminhar melhor. Quanto mais segurança tivermos na decisão do não, mais fácil para a criança. Quanto mais assertivos forem nas recomendações e no exemplo, melhor para o nosso filho. E o não não é para classificar alimentos. É para dizer, não, não está na hora de comer agora. Espere a hora do lanche/almoço/jantar.

As crianças nos surpreendem demais. São seres incríveis, que respondem às nossas mensagens. Ou você não percebe que seu filho faz o mesmo pedido, de maneiras diferentes para diversas pessoas? Se você não tem a segurança do não que está dando, seu filho percebe. E pode lutar contra.

Vez ou outra sou presenteada com uma história que confirma minhas convicções. Às vezes, determino, junto com a mãe, os dias das indulgencias, das “porcarias” a serem consumidas. Por que, vamos combinar, com criança maior, faz parte! Uma menina fofa, de 4 anos, recebeu um pirulito do garçom, em uma comemoração, e disse: obrigado, mas hoje não é quarta-feira! (Quarta é o dia que pode comer o "docinho", ela sabe). Simples assim.


O texto foi longo. É que o assunto é profundo. Se precisa de ajuda, peça. Avalie qual será seu caminho. Uma nutricionista pode te ajudar, um pediatra, um psicólogo. Mergulhe no caminho da confiança do não – como tudo que demanda mudança, é um pouco difícil. Mas muito recompensador. A saúde das nossas crianças é o melhor bem que deixamos à elas. 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Mesa de guloseimas saudáveis - Para festa de aniversário!

Olá pessoal!

Há algum tempo, tive o prazer de atender no consultório uma super nutri gravidinha (nutri também vai na nutricionista viu? Quando as áreas são diferentes...). O Rapha já morava na barriga dela, cresceu e cresce feliz e saudável. 
E chegou o aniversário de um ano dele! Ela fez uma coisa tão bacana, que pedi para ela gentilmente dividir a ideia comigo e com vocês. A palavra está com você, Bárbara!

Olá queridas mamães!!!

Quando comecei a pensar no aniversário de um ano do meu pequeno Raphael eu não conseguia imaginar a festa sem "comidinhas “ que ele pudesse comer.

De cara descartei a ideia do Buffet infantil por não poder escolher o cardápio, comecei a pesquisar e lugar nenhum eu poderia escolher a não ser que eu fizesse em algum salão e eu mesma fizesse toda a comida... complicado, primeiro porque eu trabalho e não teria tanto tempo disponível assim, segundo porque salão nenhum cabia o extenso número de convidados do príncipe... (Raphael passou 9 dias nas UTI quando nasceu e muita gente querida rezou muito por ele e não podiam ficar de fora da grande comemoração).

Foi quando achei um buffet que me permitiu fazer uma “Mesa de Guloseimas Saudáveis”, e a procura por um serviço que fizesse isso começou.. mas não encontrei, pensei em pedir para várias pessoas, mas ai veio a questão da confiança, se não havia um serviço especializado para me atender ou eu fazia ou não teria coragem de servir ao Rapha (sim sou um pouco neurótica com higienização de frutas principalmente, na verdade de tudo que for servido cru), então a solução foi colocar a mão na massa.

Primeira parte decidida, vou fazer!!!

Ai veio a segunda... mas o que fazer? Pensei primeiro no que ele gosta de comer... depois pedi sugestões as mães dos grupos do face e a Karine.

Cardápio então decidido, de cara pedi a ajuda da minha mãe, da querida amiga e babá do Rapha e da minha sogra, quando vi que eu tinha inventado mais do que eu ia dar conta sozinha pedi socorro pra minha irmã e cunhada. Sem elas não teria conseguido realizar a então sonhada “Mesa de Guloseimas Saudáveis”. Aproveitar a oportunidade para agradecê-las.

A festa era na hora do almoço então preparei todas os alimentos no dia anterior a noite, pra ficar bem fresquinho.

Vamos ao cardápio: Gelatina de açúcar orgânico de morango e abacaxi  (que o Raphael adora), doce de abóbora natural, cupcake de bolo de cenoura, biscoito integral com a carinha do tema da festa (Mickey), 



biscoito de polvilho (este eu comprei pronto), saladinha caprese, melancia em forma de sorvetinho (Top 5 das frutas preferidas do Rapha), mixirica bem descascadinha (Rapha tb adora), uva vermelha sem semente na casquinha de sorvete, espetinho de frutas (para decidir as frutas e a ordem que deveria colocar para não desmontar nem amolecer contei com a ajuda da minha amiga chef de cozinha Renata), wrap de queijo com alface, milho cozido e suco natural feito na hora de laranja lima e melancia.


Na verdade fiz também palitinhos de cenoura e pepino que seriam servidos com creme azedo e bisnaguinhas que teriam a opção de requeijão para o recheio, porem não couberam na mesa.

Como toda mãe além de escolher por dar opções saudáveis aos meus convidados, em especial as crianças e ao meu Raphael, eu também queria tudo bonito, então pensei nos alimentos que tivessem as cores do tema que era do Mickey então vermelho, amarelo e preto foram espalhados na personalização das embalagens e nas cores dos alimentos, topper de Mickey para os cupcakes e colherzinhas personalizadas também compuseram a mesa.


Modéstia a parte ficou perfeita a mesa!!! Saudável e linda!!!

Contrariando a expectativa daqueles com quem eu comentei que faria, fez muito sucesso e não sobrou quase nadinha... e o sucesso foi com adultos e crianças.

Fiz questão, e deixei já porções separadas, que servissem os itens da mesa saudável no pic nic das crianças, e a maioria delas começaram a comer pelas frutas, muitas nem comeram as frituras oferecidas pelo buffet (infelizmente eles não toparam servir só o que eu queria.. mas já achei um grande avanço me permitirem realizar e oferecer no pic nic)

Um diferencial foi avisar os convidados que a mesa não tinha hora para ser “aberta” como a de guloseimas tradicional, e que ao longo da festa ela estava lá a espera deles.

Deu super certo e já tem mamães interessadas...  agora com experiência da primeira será mais fácil, pensando seriamente em mudar o ramo da profissão de nutricionista clinica que trabalha com doenças para trabalhar com prevenção, afinal alimentação saudável desde a infância é a solução!!!