domingo, 30 de outubro de 2011

Transtorno Alimentar na infância

Olá pessoal!!!

Nesta sexta-feira que passou, dia 28 de outubro, a modelo Carolina Bittencourt liderou uma passeata contra a anorexia intitulada "Marcha das Famintas". Muito legal a iniciativa. No mesmo dia, ouvi pelo rádio sua entrevista na rádio Joven Pan, contando um pouco da sua motivação, citou estudos e falou sobre transtornos alimentares. Citou também uma das meninas internadas no HC com anorexia, com apenas 8 anos. Isso é muito, muito triste!
Transtornos alimentares são assuntos tristes, às vezes obscuros. A falta de informações podem piorar ou "deixar de previnir" alguns casos. Pensando nisso, convidei uma colega nutricionista para escrever um texto aqui pra gente! Fique à vontade Ana Carolina!!
Prevenção conjunta de obesidade e transtornos alimentares na infância e na adolescência: é possível?
            Nos dias de hoje, a obesidade tem ocupado lugar de destaque na mídia e na ciência. A questão é ainda mais preocupante quando se trata de crianças e adolescentes, por isso existem inúmeras estratégias de prevenção de obesidade nessa faixa etária. Só que existem outros problemas relacionados ao peso corporal que muitas vezes acabam sendo esquecidos ou subestimados: os transtornos alimentares.
            Transtornos alimentares são doenças psiquiátricas caracterizadas por profundas alterações no comportamento alimentar e nos comportamentos que visam controle de peso e forma corporal, levando o organismo a um funcionamento debilitado e inúmeras complicações. Os transtornos alimentares incluem a anorexia nervosa, a bulimia nervosa e os transtornos alimentares não especificados.  Sua etiologia é multifatorial, ou seja, são originados através da interação de vários fatores, não se tem uma única causa. Alguns destes fatores incluem a predisposição genética e a história familiar de transtornos psiquiátricos, a valorização do ideal magro de beleza e a prática de dietas.  Nas crianças e adolescentes, complicações comuns destas doenças incluem prejuízo no crescimento, retardo na maturação sexual e ausência de menstruação nas meninas, prejuízos dentários, constipação ou diarréia, cansaço e alterações cardiovasculares.
            É importante que os pais e familiares estejam atentos a alguns sinais típicos que podem indicar a presença de transtornos alimentares, pois raramente a criança ou adolescente vai se queixar disto, afinal, acreditam que devem fazer de tudo para serem magros. Estes sinais incluem: prática de dietas e restrição de alguns alimentos que antes eram aceitos; perda de peso sem motivo aparente; queda acentuada de cabelos; ausência de crescimento;  recusa em sair de casa e se alimentar junto com a família; atitudes negativas em relação ao peso atual; beber muito líquido nas refeições e com isso comer pouco; ir frequentemente ao banheiro logo após se alimentar. Caso notem esses comportamentos e atitudes, os pais devem buscar ajuda especializada.
Prevenção conjunta de obesidade e transtornos alimentares: é possível?
Sim! Estudos atuais dizem que a prevenção conjunta de obesidade e transtornos alimentares não só é possível como é desejada. Algumas estratégias de prevenção incluem:
1. Desencorajar a prática de dietas. Ao invés disso, encorajar e favorecer uma alimentação saudável, em que não existem alimentos “permitidos” e “proibidos”, e encorajar também a prática de atividades físicas que as crianças e adolescentes gostem. Como já foi dito, dietas são fatores de risco para transtornos alimentares e podem levar ao ganho de peso a longo prazo, já que aumentam o risco de compulsão alimentar.
2. Promover uma imagem corporal positiva. Precisamos parar de achar que a insatisfação corporal é uma boa motivação para a mudança. Pense num carro: se você gosta dele, você cuida, dirige com cuidado, faz revisões frequentes... Já quando você não gosta do carro, nada disso é feito, certo? O mesmo vale para o nosso corpo. Enquanto eu não respeitá-lo e valorizá-lo, o mínimo que seja, não terei motivação e prazer em cuidar dele (me alimentar de forma saudável, praticar exercícios que me façam sentir bem...). Os pais devem ser o exemplo de como manter uma imagem corporal positiva, e isso significa, por exemplo, parar de fazer comentários depreciativos sobre o próprio corpo e sobre o corpo dos filhos.
3. Encorajar a realização de refeições em família. Quanto mais frequentes e mais agradáveis, melhor. Pesquisas recentes mostram que o hábito de comer em família está relacionado a um melhor consumo alimentar em adolescentes, além de ser um fator protetor para alimentação transtornada e para comportamentos extremos de controle do peso.
Importante ressaltar que um estilo de vida saudável deve incluir comportamentos que conseguimos manter a longo prazo, mudanças radicais e temporárias não são positivas. Além disso, crianças aprendem a partir de exemplos, então os pais devem acima de tudo melhorar a sua própria atitude diante da alimentação e do corpo para poderem efetivamente beneficiar seus filhos.

            Ana Carolina Pereira Costa é nutricionista clínica e atua na equipe de Nutrição do Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares do Hospital das Clínicas de São Paulo (AMBULIM – IPq – HCFMUSP). É colaboradora do Grupo Especializado em Nutrição e Transtornos Alimentares (GENTA) e associada da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). É nutricionista voluntária da ADJ/Diabetes Brasil e autora do blog “O corpo é meu!” (http://ocorpoemeu.blogspot.com/).

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Mais um pouco sobre iogurte e também leite de vaca!

Olá Pessoal

Sobre o leite de vaca: a Sociedade Brasileira de Pediatria não indica o leite de vaca para menores de um ano. Eu assino embaixo. Nesta idade, caso não seja possível a amamentação, o ideal é uma fórmula infantil específica, indicada pela nutricionista ou pelo pediatra.

Mas o iogurte não é feito de leite de vaca? E iogurte pode?
Vamos por partes. Uma das contra indicações do LV (leite de vaca) é porque suas proteínas com grandes moléculas pode promover microferimentos no intestino do seu bebê, promovendo microsangramentos e aí uma anemia (não, as mamães não conseguem perceber o sangramento!). Para atingir tal situação, o consumo estimado é de 500ml de leite. Um lactente facilmente chega a essa marca quando troca o aleitamento ou a fórmula infantil pela mamadeira de LV.
Outra contra-indicação é por conta da quantidade de micronutrientes. O LV não contém quantidades de vitaminas C,D,E, Ferro,Zinco suficientes para suprir as necessidades do seu bebê. E também não tem ácidos graxos essenciais, responsáveis também pela formação das membranas celulares do sistema nervoso (cérebro). E tem mais proteína e sódio que o bebê necessita, sobrecarregando o pobre rim da criança. Isso acontece quando a amamentação é trocada pelo LV.
A indicação da introdução do iogurte nunca é trocar a amamentação ou a fórmula láctea por ele. Ao consumir o iogurte, o bebê não deve passar de 30g, utilizando-o na alimentação complementar.
Mas atenção!O cardápio ideal de criança de 7 meses compõe leite materno, papa de fruta e  papa salgada. Estes são os alimentos essenciais em sua alimentação diária. Esporadicamente, pode-se misturar o iogurte (sempre natural, sem conservantes e sem açúcar, lembra?) com a papa de fruta da tarde.
Na pirâmide alimentar para crianças de 6 a 23 meses, o iogurte está lá. O iogurte na alimentação dos maiores de 6 meses é citado no livro da Sociedade Brasileira de Pediatria “Filhos, da gravidez ao segundo ano”. Mas que fique claro que não existe consenso condenando ou enaltecendo o iogurte na alimentação do lactente. Vai de cada indicação do profissional, por conta de seus estudos e sua prática. As coisas mudam o tempo todo na ciência da nutrição. Quem não se recorda do ovo, antes vilão, agora promovido a mocinho?
Quando houver o consenso, venho correndo contar pra vocês aqui!
P.S. Nunca é demais relembrar: o melhor alimento para o bebê é o leite materno e só ele, até os seis meses de idade, e leite materno e alimentação complementar até 2 anos ou mais!
Beijinhos!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Especial dia das crianças! Brinquedos e comida!

Olá pessoal!

Já comprou o presente do seu filhinho? Continuando a falar sobre brinquedos que ajudam a comer melhor, ensinando e familiarizando a criança com a alimentação saudável, vou fazer a indicação de mais brinquedos que podemos presentear aquela criança querida, ou, para as nutricionistas e profissionais interessados adquirirem para seu espaço de educação nutricional!
Os brinquedos não necessitam de pilhas, apenas de uma criança com imaginação e tem preços acessíveis, em comparação aos outros do mercado. Todos são em estilo crec crec (vem com uma espécie de velcro reforçado que gruda e desgruda mediante o "corte" da faquinha de brinquedo) e tem representações frutas e/ou vegetais.


Salada de frutas, da Big Star


Big Feirinha, da Big Star


Panelinhas Encantadas, também Big Star
E para comemorar o dia das crianças, tenho uma sugestão para vocês. Lembro-me bem, quando li uma matéria em uma revista qualquer. Era um pai que dizia que fez uma viagem para um resort que era referência na recreação para a criançada - ele tinha 2 filhos pequenos, trabalhava muito e estava afim de descansar. Ao chegar no resort, a recreação não adiantou nada. As crianças, sempre saudosas do pai que trabalhava muito, não queria ficar com estranhos. Queriam ficar e brincar com o pai e a mãe. E este pai brincou com seus filhos durante toda a viagem. E todos amaram as férias.
Criança gosta mesmo é da companhia (ativa) dos pais. Então, sugiro a vocês brincarem e fazerem o cardápio do dia juntos. A relação entre um momento bom (companhia dos pais, diversão na cozinha, dia das crianças) com a alimentação saudável com certeza estimulará a criança a adquirir hábitos saudáveis de alimentação. E para tudo ficar mais divertido, vou postar um vídeo de uma culinarista que sugere pratos montagens de pratos divertidos que agradam toda a família, principalmente aos olhos das crianças:


 
 

Mamães e papais, se já fizeram pratos divertidos para seus filhos, fotografem e mande a foto!
Beijos e um maravilhoso dia das crianças!

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Brinquedo para ajudar a comer melhor!

Bom dia pessoal!

Já ouviram falar do Instituto Alana? Lá eles tem um projeto que eu adoro e acredito muito, que é o Criança e Consumo, que trabalha para despertar a consciência crítica da população a respeito das práticas de consumo e serviços por crianças e adolescentes.
Lá eles debatem e apontam os impactos negativos causados pela indústria do marketing direcionado à criança tais como o consumismo, a erotização precoce, a violência na juventude, o materialismo excessivo, entre outros e no meu caso, principalmente, a incidência da obesidade infantil.
Vou escrever um pouco aqui sobre a obesidade infantil, que é o meu escopo e a minha especialidade em relação a este assunto.
A criança, desde muito cedo, é bombardeada por inúmeros comerciais de TV que mostram ou ensinam o quanto aquele alimento (geralmente pobre nutricionalmente) é gostoso e vai deixar aquela criança feliz.

Ou você, mãe, nunca se deparou com um pedido de algum alimento só porque a TV comentou? E se um personagem que seu filho gosta defender a idéia então...
Esses dias minha filha (filha de nutricionista, expert em alimentação saudável para a idade dela, me pediu as balas Finn... o comercial, na época, era bem arrebatador...)
Enfim.... tive a oportunidade de ver um documentário deste projeto, e fixando na parte da alimentação, eles mostram crianças em um local em que uma mulher mostra alguns vegetais às crianças e elas não os reconhecem! Não fazem idéia em relação ao que é! Mostram beterraba, vagem, e nada! Quando mostram salgadinhos e afins, sem o nome, elas reconhecem todos.

Infelizmente, já vi essa história antes, lá na minha graduação (há mais ou menos 8 anos), quando fomos, eu e um grupo, levar hortaliças para a crinçada ver em uma escolinha. 80% do que levamos, ninguém sabia o que era. O famoso chef de cozinha Jamie Oliver também faz a mesma atividade em uma escola no reino Unido com o mesmo resultado.
Pudera, isso geralmente não faz parte da infância da maioria das crianças!!! Não há comerciais de alface. As crianças geralmente não ficam na cozinha. E seus brinquedos, quando permeiam a alimentação, geralmente é sobre a alimentação não saudável. A Bia tinha um Mc Donalds de brinquedo quando era menor (juro que não fui eu que dei rsrsrs). As massinhas de sorvete. Os crec crec de bolos de aniversário. Máquina de raspadinha.

E qual não foi o meu encanto, quando fui comprar de aniversário um presente para minha priminha, quando vi um brinquedo de fazer sopa. Cebola, vagem, milho, tomate, chuchu...

Brincar de fazer Sopinha, da Big Star, para maiores de 3 anos
Me encantei! Lá tinha um outro parecido, com vários vegetais na mesma caixinha, mas eram vegetais repetidos. Por isso gostei mais da foto acima.

Essa é a berinjela Crec Crec, lindinha, mas só vem um tipo de vegetal
O presente da priminha não foi esse (ela já é quase adolescente, não ia curtir, infelizmente....). Mas levei o brinquedo para colocar nos meus consultórios e fazer uma educação alimentar alí mesmo! Fica a dica, nutricionistas.
Quando for pensar nos brinquedos do seu filho, sobrinho, afilhado...essa também é uma ótima opção! A saúde do país agradece!!!! Já tem a experiência de um brinquedo assim? Conte pra gente!
(P.S. Do brinquedo, só não deixei o caldo de galinha que veio junto.)
Link para instituto Alana - a definição do trabalho do projeto, foi retirada do site:http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/Home.aspx

Beijos e até mais!